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Sessão especial na ALMT entrega reedição dos livros de Lenine Póvoas

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou nesta terça-feira (13), no Plenário das Deliberações “Deputado Renê Barbour”, sessão especial para entrega de obras impressas do projeto de reedição dos livros de Lenine de Campos Póvoas. O evento foi presidido pelo deputado Beto Dois a Um (PSB) e contou com presença de autoridades, escritores, acadêmicos e representantes da comunidade literária.

O projeto de reedição das obras conta com o apoio institucional do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) e com o patrocínio do Instituto Memória do Poder Legislativo “Deputado Lenine de Campos Póvoas” e publicado pela Entrelinhas Editora. 

Ao completar cem anos em 2021 o IHGMT iniciou uma extensa programação para homenagear o ex-deputado Lenine de Campos Póvoas, entre elas, o pedido para que o Instituto Memória da Assembleia Legislativa levasse o nome dele e a reedição de suas principais obras. A presidente do IHGMT, Neila Barreto disse que a contribuição dele para a literatura brasileira é inegável. 

“O Dr. Lenine foi dez anos presidente da Academia Mato-grossense de Letras, membro do Instituto Histórico, e verificamos que uma quantidade alunos mestrando, doutorando estavam procurando essas obras e não estavam encontrando nas principais Bibliotecas de Mato Grosso. Foi então que procuramos a ALMT para reeditar esses livros, sendo que parte deles serão disponibilizados em ebook”, declarou Neila.

A propositura, que possibilitou essa reedição das obras de Lenine de Campos Póvoas iniciou com o ex-deputado Allan Kardec, atual secretário de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso. “Em 2021 foi o centenário do Dr. Lenine e na ocasião eu estava como de deputado estadual nesta Casa e nós conseguimos que o projeto de resolução nominasse o Instituto Memória da ALMT com o nome dele, além de instituirmos uma Medalha Honorífica ao homenageado, e para completar nós propusemos o financiamento das reedições das obras raras dele. Então, hoje, conseguimos encerrar essa trilogia de homenagens”, explicou Allan.

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Foto: ANGELO VARELA / ALMT

A presidente do IMPL, Mara Visnard, disse que as obras de Lenine marcaram gerações e que a Casa de Leis assumiu esse compromisso de reeditar essas obras e hoje está entregando.  “Estamos homenageando esse historiador, professor, doutor, político, engenheiro Lenine de Campos Póvoas. Todos sabem da notoriedade dele, demos a ele o nome do Instituto Memoria e agora entregando essas doze obras que também estão sendo lançadas parte delas em arquivo digital”, anunciou Mara.

Entre os que receberam a coleção de obras de Lenine, a desembargadora Maria Erotides Kneip, vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. (TJMT). “O Poder Judiciário se sente extremamente honrado de ser convidado por estar aqui nesse momento, nós sentimos parte dessa história. Para nós, essa homenagem é um resgate da sua obra e suas edições”, afirmou a desembargadora do TJMT.

O deputado Beto Dois agradeceu a presença das autoridades, escritores, acadêmicos e representantes da comunidade literária e falou da importância dessa sessão especial. “Dr. Leline foi acima de tudo a frente de seu tempo. Eu parabenizo em especial ao ex-deputado Allan Kardec que começou essas tratativas, deputado Eduardo Botelho e a deputada Janaina Riva que foram as molas propulsoras a essa justa homenagem. Lenine foi uma pessoa referência, um grande homem da politica, do jurídico, da cultura,  um escritor e  poeta . E eu como representante da Cultura me sinto muito feliz em presidir uma sessão de uma figura tão importante para a história de Mato grosso, enfatizou o parlamentar.

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Representando a família do escritor, o advogado Lenine Póvoas Abreu Neto. Para ele a homenagem ao seu avô é uma honraria não só para os familiares, mas para todos os mato-grossenses. “Temos dentro da nossa casa, da nossa família, que conhecimento merece ser democratizado, inclusive o povo que não conhece seu passado tem dificuldade em entender seu presente e programar seu futuro”. 

O advogado disse também que o livro “Mato Grosso: um convite a Fortuna”, escrito há quase cinquenta anos pelo seu avô já anunciava e desvendava a explosão do agronegócio, das oportunidades e aquecimento da economia. “A Assembleia Legislativa está de parabéns e merece nossos cumprimentos”, parabenizou.

Nome dos doze livros que compõem a coleção reeditada:

Mato Grosso: um convite à fortuna

Sobrados e casas senhoriais de Cuiabá 

Influências do Rio da Prata em Mato Grosso

Cuiabá de outrora: Testemunho ocular de uma época

Reminiscências 

O caos brasileiro 

O caos brasileiro 

História de Mato Grosso: Síntese

História da cultura mato-grossense 

O ciclo do açúcar e a política de Mato Grosso 

História Geral de Mato Grosso: dos primórdios à queda do império (volume 1) 

História Geral de Mato Grosso: da proclamação da República aos dias atuais (volume 2) 

Sobre o autor – Lenine de Campos Póvoas (Cuiabá, 1921-2003) foi professor, advogado, jornalista, escritor, cientista político, administrador público, político e historiador. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-grossense de Letras. Publicou diversos livros nas áreas de Geografia, História, Administração Pública e Cultura relativos ao Estado de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

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Audiência pública debate fortalecimento da rede de saúde mental em Mato Grosso

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Foto: Helder Faria

Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.

Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.

Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.

O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.

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Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.

O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.

Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.

“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.

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Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.

Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.

A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.

Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.

Fonte: ALMT – MT

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